terça-feira, 16 de outubro de 2007

Esquerda Democrática III

Mau, o trânsito na via da esquerda democrática, e o COMBATE pelo seu protagonismo, adensa-se...Não é que, segundo o Ministro Santos Silva " A ideologia do PS é a mesma de sempre, o socialismo democrático”, num espaço político que é a “esquerda democrática”. “Não há outra força política capaz de exprimir o que é a esquerda democrática” (!!!)

Inserido no “Ciclo de Debates do Loreto”, uma iniciativa que tem como objectivo promover regularmente o debate no interior do partido sobre o modelo de desenvolvimento do País, este 1º jantar-debate, moderado por Miguel Coelho, contou com a presença de Augusto Santos Silva, Jamila Madeira, Joel Hasse Ferreira, Helena Roseta, Barros Moura, Vieira da Silva, José Miguel Medeiros, Custódia Fernandes e Artur Penedos, entre outros. Aníbal Lamy, secretário-coordenador da Secção, abriu o debate com uma intervenção em que referiu algumas das iniciativas que esta estrutura vai brevemente levar a cabo, salientando que a inclusão do desenvolvimento sustentável na Declaração de Princípios “é o embrião de todo o projecto que a Secção pretende animar, visando contribuir para que o PS tenha uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo para o País, nas mais diversas áreas, desde a economia ao ambiente, passando pela saúde e educação, no quadro de uma oposição construtiva e crítica”. Relator da proposta de revisão, Augusto Santos Silva centrou a sua intervenção nas questões mais pertinentes da Declaração de Princípios, referindo que a ideologia do PS “é a mesma de sempre, o socialismo democrático”, num espaço político que é a “esquerda democrática”. “Não há outra força política capaz de exprimir o que é a esquerda democrática”, acrescentou. Augusto Santos Silva sublinhou que a Declaração de Princípios consagra novas questões como os direitos das minorias, a paridade nas relações entre os géneros, o cosmopolitismo e as políticas de soberania - “acesso dos cidadãos à justiça e uma política democrática de segurança interna, inserida no âmbito do combate ao populismo”. O antigo ministro da Cultura do último Governo do PS referiu ainda que a nova versão da Declaração de Princípios incorpora de uma forma muito visível a questão do desenvolvimento sustentável, que na primeira versão era “muito incipiente”. O presidente da Federação de Leiria, José Miguel Medeiros, outro dos intervenientes no debate, manifestou-se satisfeito com a evolução do processo da Declaração de Princípios, e no que respeita à revisão estatutária sustentou que “as concelhias e federações não podem ser caixas postais das decisões da direcção”.
Que mundo estamos a deixar aos nossos filhos?
“Que mundo estamos a deixar aos nossos filhos?”, perguntou Helena Roseta, para sublinhar que “esta questão tem tudo a ver com a ideia de desenvolvimento sustentável”, que, frisou, é um conceito que não tem apenas a ver com a economia e o ambiente, mas também integra as componentes cultural e social, no quadro de uma democracia com elevada participação dos cidadãos. “Só há desenvolvimento sustentável se houver democracia e participação das pessoas”, disse. Helena Roseta confessou ter ficado “decepcionada” ao ler a primeira versão da Declaração de Princípios, que classificou de “redonda”, e disse esperar que a nova proposta “seja mais acutilante”. Por outro lado, a deputada socialista que se mostrou preocupada com a situação mundial, disse que “não podemos permitir que a luta contra a pobreza no nosso planeta seja posta em último lugar”. Já Jamila Madeira sublinhou que a Declaração de Princípios serviu-lhe sempre “de fonte de ensinamento e de orientação”. A líder da JS considerou, por outro lado, que “é fundamental que a esquerda assuma a luta pela sustenta-bilidade social do mundo, e em particular da Europa”, considerando ser necessário a “promoção de uma nova ordem mundial” Na sua intervenção, Joel Hasse Ferreira teceu rasgados elogios ao “processo muito participativo” em torno da Declaração de Princípios, defendendo que o PS deve trabalhar no sentido de ter um “sólido ancorar no tecido social e económico”, condição essencial para ter uma “duradoura base eleitoral e sociológica”. Manifestando-se preocupado com os rumos do planeta, nomeadamente a nível da sua sustentabilidade, teceu duras críticas à Administração Bush, que acusou de estar “conotada com a extrema-direita”. Vieira da Silva, por sua vez, disse que se revê na nova versão da Declaração de Princípios, “um instrumento de mudança possível e de afirmação do PS como força principal da mudança social”, acrescentando que “os partidos que não tenham capacidade de ter boas ideias, não poderão ser eficazes na construção de uma alternativa de poder”. O ex-secretário de Estado afirmou ainda que “apesar de tudo”, a economia de mercado “tem sido a mais eficaz na afectação de recursos”. Barros Moura, outro dos intervenientes, salientou relativamente à Declaração de Princípios que “este é um debate que só o PS podia realizar com esta amplitude”.
Clarificação ideológica e separação de águas
Afirmando temer que a Declaração de Princípios “seja o maior denominador comum, incorporando todos os contributos”, e “reproduzir compromissos que nos descaracterizam”, disse que “ganharíamos em clarificação ideológica, separando as águas”. “O PS tem de ter uma clara definição ideológica visando hegemonizar a esquerda democrática”, acrescentou. Barros Moura defendeu ainda que o PS deve ter um projecto alternativo ao Código de Trabalho, uma vez que, alertou, “só resistir pode conduzir os trabalhadores a uma derrota histórica”. Já Artur Penedos, “algo emocionado”, como confessou por diversas vezes, arrasou o pacote laboral. “O Código do Trabalho é uma lei miserável que a ser aprovado lançaria os trabalhadores na maior das precariedades, instituindo os contratos a prazo permanentes e eternos”, disse. Na sua intervenção, Artur Penedos disse que “não se pode esquecer um vasto conjunto de mecanismos sociais implementados pelos governos socialistas”, sustentando que as “práticas políticas do anterior e do actual Governo mostram de uma forma clara e exemplar que existe uma divisão clara entre esquerda e direita”.

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